ECONOMIA DA FLORESTA

Associação Indígena Kisêdjê (AIK)

Terra Indígena Wawi, Território Indígena do Xingu (TIX).

"Nossa iniciativa foi a única solução [para obter renda] que achamos mais viável e que não agride ninguém, nem o meio ambiente"  

"Nós reconquistamos nosso território tradicional do povo Kĩsêdjê, a Terra Indígena Wawi, em 1998. Em nosso território havia áreas desmatadas por fazendeiros que chegaram quando os irmãos Villas-Bôas nos levaram para o Parque Indígena do Xingu, em 1959. Usamos o pequi para fazer a floresta de novo, com fruta que a gente consome. O pequi é natural, orgânico, não usa veneno, a gente pode usar à vontade. Plantamos nas roças e onde a floresta foi derrubada e aproveitamos para comer e tirar o óleo para passar na pele e pintar para as festas. Agora o pequi está sobrando, e começamos a tirar o óleo para comercializar. Esse trabalho fazemos só uma vez no ano, todo mundo junto, com um mutirão na época do pequi, de forma que não atrapalha a nossa convivência, cotidiano e atividades tradicionais. Essa atividade visa criar alternativas de trabalho e renda capazes de manter as próximas gerações na aldeia e na cultura tradicional nossa.” - Winti Kĩsêdjê, da Associação Indígena Kĩsêdjê (AIK).

Árvore nativa domesticada, o pequi existe nas roças Kĩsêdjê há séculos. Seu fruto tem um valor que transcende a culinária e está presente nos mitos, rituais e festas do povo Kĩsêdjê. O Hwĩn Mbê (óleo de pequi, em Kisêdjê) é produzido de forma tradicional – inteiramente a frio –, o que resulta em um produto único, que preserva o sabor, a cor, o perfume e as propriedades do fruto. A extração começou em 2011, em um trabalho coordenado pela Associação Indígena Kĩsêdjê (AIK), com o apoio técnico do ISA e financeiro do Instituto Bacuri e do Grupo Rezek.

O projeto Hwĩn Mbê começou em 2011, estruturou-se de forma piloto, tendo em perspectiva o desenvolvimento de uma miniusina que adapta tecnologia para processamento do óleo no método tradicional, em escala comercial; e a plantação de novos pequizais como forma de recuperação de áreas e formação de sistemas silvipastoris, que também propiciam mais alimento para a comunidade e geram renda sustentável. Em uma miniusina na aldeia Ngôjhwêrê, durante anos de boa safra, estima-se que a produção possa chegar a 500 litros. Em 2018, 5 aldeias envolvidas bateram recorde de produção do óleo: 315 litros foram obtidos pelos Kisêdjê.

Além disso, em 2019, a Associação Indígena Kisêdjê (AIK) venceu o Prêmio Equatorial, concedido a cada dois anos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para soluções locais e indígenas de desenvolvimento sustentável.

 

Grupo Pão de Açúcar, no Programa Caras do Brasil, Box Amazônia/Mata Atlântica no Mercado de Pinheiros (SP), New Harmony Cosméticos, Dalva & Dito Restaurante (SP).


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