Linha do Tempo



1884 e 1887 - Karl Von Den Stein

Foram as duas expedições do etnólogo alemão Karl von den Steinen, de 1884 e 1887, que deram aos não-indígenas o conhecimento da existência dos povos do Alto Xingu.

Partindo de Cuiabá e atravessando o rio Paranatinga, no divisor de águas das bacias dos rio Xingu e Tapajós, a equipe alcançou os Baikairi de Paranatinga e manteve breve contato com os Suyá.

Na segunda viagem, a expedição subiu o Kurisevo e deteve-se entre os povos do Alto Xingu. Steinen é lembrado nas narrativas Kuikuro como Kalusi, o primeiro não-indígena (kagaiha) que “veio em paz”, trazendo presentes e bens para trocar. Por meio de seus registros, sabe-se que no final do século XIX viviam mais de três mil índios em 31 aldeias no Alto Xingu.

Após Von den Stein sucederam-se visitantes à região, como Hermann Meyer (1897, 1898, 1900), Henri Coudreau (1895),  Hintermann (1925), Petrillo (1932) e Max Schmidt (1942). Tais expedições estimularam a procura por instrumentos de metal, como facas, tesouras e machados, e a disseminação de doenças contagiosas entre os xinguanos.


1889 - Proclamação da República

Com o Golpe Militar de 15 de novembro de 1889, que depôs Dom Pedro II, o Brasil deixou de ser um Império. A partir do ato simbólico da Proclamação da República no Brasil, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, um novo tipo de regime é estabelecido: o Brasil República.


1900 a 1913 - Marechal Rondon

De 1900 a 1906, Cândido Rondon é nomeado chefe da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas no Estado de Mato Grosso. Ele inicia a construção das linhas que ligariam a capital ao sul do Estado. Durante essa missão, garante as terras aos indígenas e protege os povos Bororo, Terena, Ofayé e Kadiwéu. Em 1906, foi encarregado de ligar Cuiabá ao território do Acre, recentemente incorporado ao país. Em 1913, já coronel, acompanha uma expedição que o antigo presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, fez pelo sertão brasileiro.

 

 


1910 - Serviço de Proteção aos Índios (SPI)

Em 1910, Rondon organizou e passou a dirigir o Serviço de Proteção aos Índios (SPI). O seu principal objetivo era proteger os indígenas dos ataques feitos por não-indígenas, bem como integrá-los à sociedade nacional. Com a sua fundação, a política indigenista passou a ser de responsabilidade do Estado Brasileiro e não de instituições religiosas, como era desde o período colonial.


1910 a 1913 - Emília Snethlage

Entre 1910 e 1913, Emília Snethlage, chefe da seção de Zoologia do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), realizou expedições à região do Xingu. A pesquisadora teve os Xipaya e os Kuruaya como informantes, o que permitiu a atualização do conhecimento da situação de contato em que se encontravam os dois grupos. Snetlhage estimou que, por volta de 1918, os Xipaya fossem aproximadamente 80 pessoas.


1911 - Fundação de Altamira

Altamira consolidou-se como centro polarizador na região do Rio Xingu. Sua origem oficial esteve diretamente ligada à colonização das Missões Jesuíticas na primeira metade do século 18 e, posteriormente, à extração de borracha que perdurou até a metade do século 20. A rede urbana da região do Xingu estrutura-se a partir de Altamira.


1912 - Auge da produção da borracha

A migração de grandes contingentes de nordestinos e a ocupação de territórios de forma sedentária para a produção da borracha provocaram profundas alterações na dinâmica da região Amazônica. Em 1880, a região produziu 8.600 toneladas de borracha; em 1911, 44 mil toneladas - 25% do total das exportações brasileiras.

Em 1913, a Amazônia começa a perder o monopólio de produção da borracha. Os seringais plantados pelos ingleses na Malásia, no Ceilão e na África tropical com sementes oriundas da própria Amazônia, passaram a produzir látex com maior eficiência e produtividade. Neste ano a produção brasileira caiu para 36 mil toneladas e em 1918 produziu apenas 22 mil.


1916 a 1919 - Curt Nimuendajú

Entre 1916 e 1919 Curt Nimuendajú realizou trabalho de campo nos rios Xingu, Iriri e Curuá. Em seus relatos, informa que os Kuruaya faziam parte de um grande número de etnias que viviam no baixo e médio Xingu, junto com os Xipaia, Juruna (Yudjá), Arupaí (extintos), Tucunyapé (extintos), Arara e os Asurini.

Por volta de 1896, eles habitavam a floresta na margem oeste do rio Curuá, segundo informações trazidas a Nimuendajú pelos Juruna e Tucunyapé. Também consideravam os tributários da margem direita do rio Curuá - Curuazinho, Bahú e Flechas - como seu território.

Os indígenas dominavam os rios Iriri e Curuá, ao mesmo tempo em que procuravam frear o avanço dos Mebêngôkré/Kayapó, dos Carajá e da frente seringalista. As etnias dessa região foram classificadas por Nimuendajú (1948:213) em três grupos: canoeiros, restritos ao rio Xingu, Iriri e Curuá (Arupaí, Xipaya e Juruna), grupos que vivem na floresta virgem central (Kuruaya Arara, Asurini e Tucunyapé) e o grupo das savanas (Mebêngôkré).


1930 - Decadência da seringa e os beiradeiros

Todo o sistema social da região, especialmente a Terra do Meio, foi profundamente marcado por esse período. Com a decadência do mercado da borracha cria-se uma sociedade cabocla de caráter basicamente agropesqueiro. Desde então, as longas faixas de várzea do estuário amazônico, assim como as beiras e ilhas do rio Xingu, vêm se constituindo a partir de uma territorialidade cabocla, que tem na pesca, no extrativismo, no cultivo da maniva, na caça, na madeira, entre outras, suas práticas cotidianas.













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