Sementes
“Assim como as formigas, nós gostamos de coletar as sementes para que os brancos possam reflorestar as matas que destruíram. Nós comercializamos as sementes para que os brancos replantem e também reflorestamos na aldeia para garantir os recursos para as próximas gerações.” - Magaro Ikpeng, liderança Yarang da aldeia Moygu
O processo de produção de sementes no Corredor do Xingu é composto pelas etapas de coleta, manejo, secagem e armazenamento. As técnicas adotadas dependem diretamente da realidade local dos coletores, principalmente em razão das diferenças de infraestrutura, assistência técnica, conhecimento local e organização social. A etapa de comercialização é coordenada por uma central administrativa, que conta com a atuação de técnicos para relacionar a oferta indicada pelos coletores com a demanda de mercado. Dessa forma, a produção de sementes é integralmente comercializada sem excedentes. De modo mais concreto, a central administrativa estabelece contratos e parcerias com compradores, definindo uma demanda produtiva anual. De sua parte, os coletores fazem um planejamento local para dimensionar sua capacidade de produção, considerando tanto a condição local para executar as operações quanto a dinâmica da vegetação, o que gera a lista potencial de sementes a produzir.
A ARSX - Associação Rede de Sementes do Xingu é uma rede de coleta e comercialização de sementes nativas das regiões dos rios Xingu, Araguaia e Teles Pires. Ao longo da história da ARSX, já foram coletadas 220 toneladas de sementes de mais de 220 espécies nativas. As sementes são coletadas e beneficiadas por mais de 600 coletores, gerando uma renda de R$ 7 milhões, repassados diretamente para as comunidades.
Desde sua criação, em 2007, a associação já viabilizou a recuperação de mais de 8,8 mil hectares de áreas degradadas na região da Bacia do Rio Xingu e Araguaia e em outras regiões de Cerrado e Amazônia. A iniciativa é a maior rede de sementes nativas do Brasil e em 2024 a comercialização foi de 5.378 kg de sementes.